

Marina, de 18 anos, órfã desde tenra idade, viaja até à costa atlântica de Espanha para obter a assinatura dos avós paternos que nunca conheceu para uma candidatura a uma bolsa de estudo. Marina navega num mar de novas tias, tios e primos, sem saber se será acolhida, ou se encontrará resistência. Mexendo com emoções há muito enterradas, reaviva a ternura e descobre feridas ocultas ligadas ao passado, enquanto junta as memórias fragmentadas e muitas vezes contraditórias dos pais de que mal se lembra.
Filme da seleção oficial do Festival de Cannes 2025, em competição.
Em 2009, um homem e dois cúmplices tentam expulsar elementos da comunidade indígena chuschagasta na Argentina. Alegando ser donos da terra, matam o líder da comunidade. O assassinato é filmado. São necessários nove anos de protestos até o processo judicial ser aberto, em 2018. Durante esse tempo, os assassinos permanecem em liberdade. O filme conjuga as vozes e fotografias da comunidade com imagens do tribunal para explorar a história do colonialismo e da expropriação de terras que levaram a este crime.
O cineasta iraniano Bahram, cujo trabalho é proibido no próprio país, tenta exibir o seu último filme clandestinamente após ter mais um pedido negado por parte do Ministério da Cultura. Com a ajuda da sua produtora, Sadaf,
que conduz uma Vespa sem medo e não tem papas na língua, Bahram navega pelos absurdos do sistema para desafiar as restrições, espelhando
as próprias experiências do realizador Ali Asgari com a censura no Irão.
Filme da secção Horizontes do Festival de Veneza.
Durante a Primeira Guerra Mundial, um grupo de senhoras da alta sociedade portuguesa oferece-se para servir em França como enfermeiras da Cruz Vermelha. Também conhecidas como “Damas Enfermeiras”, além de prestarem auxílio a feridos e doentes, tinham outra missão: construir um hospital. Entre contratempos e obstáculos, perante a resistência crescente da República, as Damas conseguem que as portas do hospital se abram precisamente a 9 de abril de 1918, dia em que começou a Batalha de La Lys.
Roma. Anos 80. Goliarda Sapienza trabalha há 10 anos naquela que será a sua obra-prima “A Arte da Alegria”, mas o manuscrito é rejeitado por todas as editoras. Desesperada, Sapienza comete um roubo que destrói a sua reputação e posição social. Reclusa na maior prisão de mulheres em Itália, conhece ladras, toxicodependentes, prostitutas e ativistas políticas. Após ser libertada, continua a encontrar-se com estas mulheres com quem desenvolve uma relação que lhe devolve o desejo de viver e escrever. Filme da seleção oficial do Festival de Cannes 2025, em competição.
Mahnaz, uma enfermeira de 40 anos, cria sozinha os dois fi lhos. Quando está à beira de ficar noiva do namorado, Hamid, o filho Aliyar é expulso da escola. Um acidente trágico vai destruir a sua vida e Mahnaz tenta a todo o custo que se faça justiça… Filme da seleção oficial do Festival de Cannes, em competição.
O novo filme de Claire Simon leva-nos para a escola primária Makarenko, um estabelecimento de ensino público nos arredores de Paris. Entre o recreio e as salas de aula, observamos as interações diárias entre professores e alunos e os seus pequenos dramas e triunfos. Numa homenagem a uma das mais nobres profissões, posta em causa pelo sub-financiamento do sistema educativo francês, a documentarista mostra como os professores, mais do que ensinar, educam estas crianças.
Poucos compositores marcaram de forma tão profunda a música contemporânea como Steve Reich. Nascido em 1936 e reconhecido como um dos pioneiros do minimalismo musical, Reich revolucionou a linguagem musical do século XX através da repetição de padrões rítmicos, da exploração tímbrica e da célebre técnica de phasing, criando obras de uma energia hipnótica e de uma originalidade ímpar.
No ano em que se assinalam os seus 90 anos, o Encontro Internacional de Piano de Sardoal presta homenagem a este mestre da música contemporânea através de um cine-concerto que cruza música ao vivo e imagem em movimento, proporcionando uma experiência artística imersiva e multidisciplinar.
Resultado de uma parceria entre o Encontro Internacional de Piano de Sardoal e o Espalhafitas – Cineclube de Abrantes, o espetáculo reúne em palco diversos jovens pianistas e instrumentistas da Filarmónica União Sardoalense, num diálogo entre diferentes gerações de músicos e diferentes formas de expressão artística. Ao longo da noite, serão apresentados excertos de obras cinematográficas cuja banda sonora incorpora música de Steve Reich, permitindo ao público descobrir a influência duradoura do compositor no universo do cinema. A projeção de imagens e sequências cinematográficas será acompanhada por interpretações ao vivo, criando um ambiente envolvente onde música e cinema se fundem numa experiência única.
Pela sua originalidade, dimensão colaborativa e carácter inovador, este cine-concerto afirma-se como um dos momentos mais marcantes da programação do XI Encontro Internacional de Piano de Sardoal, celebrando a contemporaneidade, a criatividade e o encontro entre diferentes artes.
